Especialista explica falha em 40% dos tratamentos de depressão
Psiquiatra dinamarquês aponta lacunas em pesquisa e diagnóstico como causas para ineficácia de terapias.

Apesar dos avanços na compreensão da depressão, cerca de 40% dos pacientes ainda não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis. A constatação é do psiquiatra dinamarquês Lars Vedel Kessing, um dos maiores especialistas mundiais na área, que aponta falhas significativas na pesquisa e no diagnóstico como os principais motivos para essa taxa elevada de insucesso terapêutico.
Kessing destaca que a pesquisa sobre depressão, embora tenha evoluído, ainda carece de profundidade em diversas frentes. A complexidade da doença, que envolve fatores genéticos, ambientais e psicológicos, dificulta a identificação de alvos terapêuticos mais eficazes e personalizados. Muitas vezes, os tratamentos são generalizados e não levam em conta as particularidades de cada indivíduo.
Outro ponto crítico levantado pelo especialista é a questão do diagnóstico. A depressão pode se manifestar de formas variadas e, em muitos casos, é confundida com outras condições de saúde mental ou até mesmo com sintomas físicos. Essa dificuldade diagnóstica leva a tratamentos inadequados ou tardios, comprometendo o prognóstico do paciente.
O psiquiatra ressalta que a falta de biomarcadores confiáveis para a depressão contribui para a imprecisão diagnóstica. Diferentemente de outras doenças, como diabetes ou infarto, não existem exames de sangue ou imagem que confirmem a presença da depressão, dependendo-se majoritariamente da avaliação clínica e do relato do paciente.
Diante desse cenário, Kessing defende a necessidade de um investimento maior em pesquisa básica e clínica, com foco em desvendar os mecanismos neurobiológicos da depressão e em desenvolver métodos diagnósticos mais precisos. A busca por tratamentos mais eficazes e individualizados é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos milhões de pessoas afetadas pela doença em todo o mundo.
A comunidade científica internacional tem buscado alternativas, como a exploração de novas classes de medicamentos e o aprimoramento de abordagens psicoterapêuticas. No entanto, a jornada para superar as falhas nos tratamentos da depressão ainda é longa e exige esforços contínuos e colaborativos.
Com informações de Veja Saúde.
Leia também

Pesquisa Quaest: Jovens apoiam minorias, mas Geração Z se alinha a Bolsonaro
Estudo aponta que, apesar de mais progressista em pautas de costumes, a Geração Z concentra a maior identificação masculina com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: InfoMoney
O Giro na sua caixa de entrada
As notícias do Brasil que importam, uma vez por semana. Sem spam.