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Política· 13 de junho de 2026· 1 min de leitura

Reator nuclear natural funcionou no Gabão há 2 bilhões de anos

Depósito de urânio operou em ciclos por centenas de milhares de anos, segundo análise de anomalia descoberta em 1972.

Redação Giro BR
Reator nuclear natural funcionou no Gabão há 2 bilhões de anos

Há cerca de dois bilhões de anos, um fenômeno geológico extraordinário permitiu o funcionamento de um reator nuclear natural em Oklo, no Gabão. A descoberta dessa capacidade de fissão nuclear espontânea ocorreu em 1972, quando análises de urânio extraído de uma mina local revelaram uma proporção incomum de urânio-235, um isótopo físsil.

Essa anomalia na composição isotópica do urânio-235, que em amostras naturais costuma ser quase constante, levou pesquisadores a reconstruir a história de um processo de fissão nuclear que ocorreu muito antes da invenção da tecnologia nuclear humana. Acredita-se que as condições geológicas e a concentração de urânio no local foram suficientes para sustentar uma reação em cadeia.

O reator natural de Oklo não operou de forma contínua. As evidências sugerem que ele funcionou em ciclos, com períodos de atividade intercalados por pausas. Essa intermitência era necessária para permitir o resfriamento do sistema, evitando um superaquecimento que poderia extinguir a reação.

A operação desses ciclos teria se estendido por centenas de milhares de anos, consumindo uma quantidade significativa do urânio presente no depósito. A análise da proporção de isótopos de urânio e outros elementos no local permite aos cientistas estimar a duração e a intensidade dessa atividade nuclear.

A descoberta do reator natural de Oklo é um marco para a geologia e a física nuclear. Ela demonstra que reações nucleares em larga escala podem ocorrer sem intervenção humana, dadas as condições geológicas adequadas, e oferece um laboratório natural para o estudo de processos nucleares de longa duração.

O fenômeno também levanta questões sobre a formação e evolução da Terra, fornecendo insights sobre a abundância de elementos radioativos e a dinâmica interna do planeta em eras remotas. A compreensão desses processos naturais ajuda a contextualizar a busca por energia nuclear e o gerenciamento de resíduos radioativos.

Com informações de O Antagonista.

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