Brasil levaria três décadas para absorver jornada menor
Projeção da Confederação Nacional da Indústria aponta que redução de carga horária sem corte salarial exigiria até 30 anos de ganhos de produtividade.

O Brasil precisaria de um horizonte de até trinta anos para compensar integralmente os efeitos econômicos de uma eventual redução da jornada de trabalho sem a correspondente diminuição de salários. O cálculo faz parte de um levantamento técnico elaborado pela Confederação Nacional da Indústria, que avaliou o impacto da medida sobre a competitividade das empresas nacionais.
A simulação considera um cenário em que o setor produtivo absorve a diminuição nas horas trabalhadas mantendo a remuneração integral dos funcionários. Para neutralizar o custo dessa mudança por meio de eficiência, a economia brasileira necessitaria de avanços contínuos e expressivos no ritmo de produção por trabalhador, algo que historicamente registra taxas modestas.
Impacto na produtividade
A discussão sobre a alteração nos limites semanais de trabalho ganha tração no Congresso Nacional e movimenta debates entre parlamentares, centrais sindicais e empresários. Enquanto defensores apontam melhorias na qualidade de vida dos trabalhadores, o setor produtivo alerta para o risco de perda de margens, fechamento de postos de trabalho e encarecimento de produtos e serviços.
Especialistas em contas públicas e mercado de trabalho apontam que imposições legais sobre a jornada, quando descoladas da realidade de eficiência das empresas, acabam penalizando a iniciativa privada. A carga tributária elevada e o custo Brasil já impõem barreiras severas para a expansão dos negócios no país, reduzindo a margem de manobra para absorção de novos encargos operacionais.
Aumento de custos trabalhistas sem contrapartida de entrega costuma resultar em repasse de preços ao consumidor final ou em retração nos investimentos em inovação e capacidade produtiva. Para o empresariado, a prioridade deveria ser a melhoria do ambiente de negócios e a desburocratização, pilares essenciais para elevar a renda de forma sustentável.
Na prática, a proposta de encurtar o tempo de trabalho sem ajuste na folha de pagamento atua como um choque de custos sobre a economia. Sem reformas estruturais que facilitem a operação das empresas, a medida pode desacelerar o crescimento do Produto Interno Bruto e frear a geração de empregos formais nos próximos anos.
Com informações de Poder360.
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