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Geral· 01 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Editorial do Estadão critica prorrogação do Desenrola e aponta viés eleitoral

Extensão do programa de renegociação de dívidas até agosto gera alertas sobre incentivo ao endividamento durante o período de campanha.

Redação Giro BR
Editorial do Estadão critica prorrogação do Desenrola e aponta viés eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo publicou um editorial neste sábado para criticar a decisão do governo federal de prorrogar o prazo de adesão ao programa Desenrola Brasil até o final de agosto. A extensão da iniciativa, comunicada pelo ministério por meio do secretário executivo Dario Durigan, empurra o encerramento do programa para dentro do calendário oficial de campanha eleitoral.

Para a publicação, a medida perde o foco de uma política de saneamento estrutural de crédito e passa a funcionar como um incentivo continuado ao endividamento das famílias. O texto aponta que a prorrogação, que encerraria originalmente nos primeiros dias do mês, demonstra um uso político da máquina estatal para atender a interesses eleitorais.

Especialistas em contas públicas e críticos da gestão econômica argumentam que facilidades recorrentes de renegociação sem contrapartidas fiscais sólidas criam um problema de risco moral no mercado de crédito. O consumidor pode assumir riscos maiores na expectativa de novos perdões ou facilidades bancárias patrocinadas pelo Estado.

A manutenção de programas de transferência ou facilitação de crédito por prazos estendidos eleva o custo administrativo e operacional para as instituições envolvidas. Setores produtivos e liberais cobram maior responsabilidade fiscal do governo na condução de políticas que afetam o mercado de capitais e o consumo interno.

O Desenrola Brasil foi criado com a promessa de limpar o nome de milhões de brasileiros inadimplentes e reestruturar dívidas bancárias acumuladas. Contudo, a repetição de prazos e a flexibilização das regras geram debates sobre a eficácia de longo prazo da política para a educação financeira da população.

Na prática, a decisão governamental mantém o programa ativo por mais alguns meses, permitindo novas renegociações nas condições estabelecidas pela gestão federal. O impacto real da medida sobre o volume total de inadimplentes e sobre o comportamento do crédito no segundo semestre ainda dependerá da adesão efetiva dos devedores.

Com informações de Revista Oeste.

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