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Geral· 10 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Alerta sobre peças usadas em aviões da Voepass foi feito cinco anos antes

Ex-inspetor da Anac declarou que advertiu a agência reguladora sobre o reaproveitamento de componentes na frota da companhia aérea anos antes do acidente em Vinhedo.

Por Rafael Barcelar· Editor
Alerta sobre peças usadas em aviões da Voepass foi feito cinco anos antes

Um ex-inspetor da Agência Nacional de Aviação Civil afirmou que alertou o órgão regulador sobre a prática de reaproveitamento de peças em aeronaves da Voepass cinco anos antes da queda que vitimou 62 pessoas no município paulista de Vinhedo. A manifestação ocorreu no âmbito das investigações que apuram as causas do desastre aéreo ocorrido com o turboélice ATR-72 em agosto do ano passado.

De acordo com o relato do profissional encaminhado aos órgãos de controle, a reutilização de componentes mecânicos ocorria sem a devida rastreabilidade ou os critérios de segurança exigidos para a manutenção de aeronaves comerciais. O denunciante apontou que a agência recebeu os informes detalhados sobre as falhas nos procedimentos técnicos adotados pela empresa de aviação regional.

A companhia aérea Voepass tem negado irregularidades em sua frota e reiterado que todas as suas manutenções seguem rigorosamente os manuais dos fabricantes e as diretrizes estabelecidas pelas normas aeronáuticas vigentes no país. A empresa argumenta que seus processos passam por fiscalizações periódicas e que mantém cooperação integral com as autoridades que investigam o acidente.

Por sua vez, a Anac informou que apura todas as denúncias recebidas por seus canais oficiais e que adota medidas cautelares sempre que identifica riscos à segurança operacional. A agência reguladora declarou que os dados fornecidos pelo ex-inspetor foram incorporados aos dossiês de fiscalização e repassados aos investigadores responsáveis pelo caso.

Especialistas em segurança de voo apontam que a manutenção de frotas regionais exige rigor fiscalizatório redobrado devido à alta frequência de pousos e decolagens em aeroportos de menor porte. O custo operacional elevado do setor muitas vezes pressiona as margens das empresas, tornando crucial o papel do Estado na verificação implacável do cumprimento das normas técnicas.

As investigações oficiais sobre a tragédia em Vinhedo continuam em andamento sob a condução do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos e da Polícia Federal. O cruzamento de dados de manutenção com as caixas-pretas da aeronave deve esclarecer se falhas mecânicas decorrentes de peças reutilizadas tiveram participação direta na perda de controle do voo.

Com informações de Metrópoles.

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