Justiça dos EUA mantém milhares de ações contra Meta e TikTok por vício
Tribunal federal rejeitou recurso de gigantes de tecnologia e permitiu o avanço de processos movidos por usuários jovens.

Um tribunal federal de recursos dos Estados Unidos autorizou o prosseguimento de milhares de ações judiciais que apontam plataformas digitais como causadoras de dependência química e comportamental em crianças e adolescentes. A decisão atinge diretamente grandes nomes do setor, como a Meta, o Google da Alphabet, o TikTok da ByteDance e o Snapchat. Os processos acumulam acusações de que os algoritmos e as interfaces foram desenhados de forma intencional para reter a atenção do público jovem por períodos prolongados, gerando quadros de vício.
As empresas de tecnologia tentavam barrar o avanço das denúncias nas cortes americanas, argumentando que estariam protegidas por imunidades legais sobre o conteúdo publicado por terceiros. Com a recusa do tribunal em acatar o recurso das companhias, o caminho fica aberto para a fase de instrução processual, onde provas sobre o funcionamento interno dos algoritmos deverão vir à tona.
O avanço dessas disputas judiciais coloca em xeque o modelo de negócios baseado no engajamento máximo e na coleta intensiva de dados de menores de idade. Analistas apontam que a responsabilização civil das corporações por danos à saúde mental pode resultar em indenizações bilionárias e forçar uma reformulação profunda nas políticas de design de produtos digitais.
Organizações de defesa da infância e famílias que lideram as demandas jurídicas comemoram a decisão como um passo essencial para responsabilizar o setor corporativo pelas consequências sociais de suas plataformas. A discussão ganha força em meio a crescentes alertas de médicos e especialistas em saúde mental sobre os impactos negativos do uso excessivo de redes sociais.
Na prática, o processo agora avança para as próximas etapas de coleta de depoimentos e documentos internos das gigantes tecnológicas. As empresas precisarão enfrentar um escrutínio severo sobre o conhecimento que possuíam a respeito do potencial adictivo de seus aplicativos antes de o caso chegar a julgamentos finais por júri popular.
Com informações de Folha de SP - Mercado.
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