Responsabilidade fiscal é respeito com quem paga imposto
Opinião: gastar mais do que se arrecada não é generosidade com o povo; é empurrar a conta, com juro, para o trabalhador de amanhã.
Há uma tentação recorrente na política de tratar o gasto público como prova de sensibilidade social. Gastar seria cuidar; cortar seria crueldade. A conta real desmente essa história. Gastar mais do que se arrecada, de forma crônica, não é generosidade com o povo. É empurrar a conta, acrescida de juro, para o trabalhador de amanhã.
Todo déficit precisa ser financiado, e o financiamento tem preço. Ou o Estado se endivida, e a dívida cresce até comer parte relevante do orçamento em juro, ou recorre a mecanismos que corroem a moeda e reaparecem como inflação. Nos dois casos, quem paga é o cidadão comum, principalmente o mais pobre, que não tem como se proteger da alta de preços.
O dinheiro público tem dono
Existe uma frase que deveria ficar na parede de todo gabinete: dinheiro público tem dono. Cada real que o Estado gasta foi antes tirado de alguém que trabalhou para produzi-lo. Por isso o gasto ruim não é apenas ineficiência; é desrespeito com quem pagou. Obra superfaturada, cargo inventado e programa que não entrega resultado são formas de gastar mal o esforço alheio.
Responsabilidade fiscal, nesse sentido, não é agenda fria de economista. É respeito com o contribuinte. É reconhecer que o governo administra recurso que não é dele, e que administrá-lo com desleixo tem vítima concreta, a família que vê o preço subir e o salário encolher.
Disciplina hoje, liberdade amanhã
Controlar o gasto público é o que protege a moeda, o emprego e o poder de compra ao longo do tempo. País com contas em ordem atrai investimento, paga juro menor e tem espaço para reduzir imposto, porque não precisa arrecadar desesperadamente para cobrir rombo. Disciplina fiscal hoje é o que compra liberdade orçamentária amanhã.
Não se trata de cortar por cortar, e sim de gastar bem o que é do cidadão, priorizando o que entrega resultado e descartando o que só serve à máquina. Quem defende responsabilidade fiscal não está contra o povo. Está do lado de quem paga a conta, que é, no fim, o próprio povo.
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